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Unibave promove o evento alusivo ao Mês do Orgulho LGBTQIA+

14 de junho de 2024 -
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O Centro Universitário Barriga Verde (Unibave) realizou, na terça-feira (11/06), o evento alusivo ao Mês do Orgulho LGBTQIA+. As atividades intituladas “O respeito TRANSforma o mundo” foram no Centro de Vivências durante os períodos da tarde e da noite, junto aos acadêmicos e servidores da área da saúde do município de Orleans.

O objetivo é conscientizar acadêmicos, docentes e profissionais da saúde sobre as necessidades de cuidados das pessoas LGBTQIA+, em especial a população trans, a partir das suas necessidades de saúde, educação e garantia de direitos. A realização foi uma parceria da Secretaria de Saúde do município de Orleans e do Unibave, por meio do Núcleo de Pesquisa e Extensão (NEAS) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação (NEPE).

Os servidores da prefeitura de Orleans tiveram uma capacitação voltada aos profissionais da saúde sobre “Ambulatrans, uma experiência do município de São José”, ministrada pelo psicólogo Hubert Beck Neto, no período da tarde. Hubert, que tem 12 anos de experiência trabalhando como psicólogo em Atenção Primária à Saúde, foi o idealizador do AmbulaTrans e é psicoterapeuta focado em saúde integral para população LGBTQIAPN+. Ele explicou cada letra do acróstico LGBTQIAPN+ e ainda deu detalhes da legislação.

As legislações que regulam e orientam a prática dos profissionais de Saúde e Educação foram debatidas, assim como as dificuldades enfrentadas pelas pessoas LGBTQIA+, como forma de reflexão para que os desafios possam ser superados e que ocorra um atendimento humanizado, acolhedor, de orientação e encaminhamento adequados às demandas apresentadas. No caso da Psicologia, há legislações específicas que orientam a conduta profissional frente às pessoas LGBTQIA+, como, por exemplo, as Resoluções do Conselho Federal de Psicologia Nº 01/1999, 01/2018, 08/2020 e 08/2022, além das Referências Técnicas para atuação de Psicólogos e Psicólogas em Políticas Públicas para a população LGBTQIA+.

 

A técnica em enfermagem Marisete Acordi declara que a palestra abriu os seus olhos. “Eu cresci com meus pais dizendo que só existe homem e mulher. Quando comecei a conviver com pessoas que gostavam de pessoas do mesmo sexo, achava estranho, embora nunca tenha tratado ninguém mal, mas tinha meu preconceito. Essa palestra foi muito proveitosa, aprendi, consegui ver o quanto essas pessoas sofrem por ser quem são (transexuais). Me pus no lugar e entendi o quanto é preciso acolhê-las. Consegui compreender e quebrar meu preconceito. São seres humanos que precisam de cuidado, saúde, amor e paz, como qualquer outro”, afirmou.

Já a coordenadora da saúde da família, Jaini Baschirotto Perin, diz que, às vezes, os profissionais não têm clareza e compreensão sobre os assuntos. “Falar sobre a comunidade LGBTQIA+ é algo primordial dentro da área da saúde. Estes deveriam encontrar amparo, mas por vezes são estigmatizados. Trazer essa discussão para a rede, com um profissional humano, conhecedor do tema e com vivências com a comunidade Trans, foi algo magnífico”, ponderou, lembrando que faltou tempo e que os retornos dos profissionais com quem trabalha foi positivo.

Roda de conversa

À noite, uma Roda de Conversa voltada para a comunidade acadêmica e interessados teve a participação de Hubert; da professora e pesquisadora da temática de gênero e psicóloga mestra, Fábia Galvane; e da professora, transativista e a primeira mulher trans a conquistar o título de doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Gabriela da Silva.

Na avaliação da coordenadora do curso de Psicologia do Unibave, Vandreça Vigarani Durigon, há uma necessidade de trazer à tona essas discussões em torno dos cuidados com essa categoria, pela procura dos dispositivos de saúde, demandando atenção e cuidados. “O Unibave, enquanto espaço de produção e disseminação de conhecimento, tem a missão de oportunizar essas discussões em parceria com outros setores da sociedade. Somos responsáveis pela formação dos futuros profissionais que atuarão em diferentes espaços. Por isso, precisamos garantir uma formação que atenda a todas as pessoas, independente da sua religião, identidade de gênero, orientação sexual, classe econômica e outros marcadores sociais”, frisou Vandreça.

Conforme a coordenadora do curso de Pedagogia, Miryan Cruz Debiasi, a formação dos estudantes é direito da pessoa humana a ser respeitada em sua singularidade e subjetividade. “O debate sobre cidadania e direitos humanos perpassa a formação de todas as profissões. Conforme o artigo segundo da Declaração dos Direitos Humanos, ‘Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição’. É fundamental que no percurso formativo do futuro profissional tenham espaços e estudos para as demandas emergentes da sociedade e que vão muito além das questões pragmáticas e imediatistas. Afinal, a Universidade é um espaço plural, crítico e reflexivo, que vai além do senso comum, tendo em vista o desenvolvimento científico, tecnológico e social”, comentou a professora.