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Drogas: uma decisão pessoal com consequências coletivas

16 de agosto de 2019 -
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O consumo de drogas, lícitas e ilícitas, é tema de diversos debates. E as consequências do uso de substâncias psicoativas são amplamente abordadas, já que são devastadoras não apenas para o usuário. Se em um primeiro momento pode parecer ter efeitos positivos, em longo prazo a história ganha um revés. Para debater esse tema de forma livre de tabus e julgamentos, o Centro Universitário Barriga Verde – Unibave lançou a campanha de combate ao uso de drogas “Curtir sem vacilo”.

Sobre o assunto, o psicólogo e especialista em Dependência Química, Robson Kindermann, é direto e objetivo. “Para começar, usar drogas é bom. Sempre digo que não vou omitir, vou falar a verdade. Você já viu alguém dependente de chá de alface? Não, porque não dá prazer. O uso de drogas, em um primeiro momento, traz sensação de bem-estar, felicidade e coragem, por exemplo. O ruim são as consequências devastadoras dela, como saúde prejudicada, violência, problema de convívio social e vários outras que fazem parte de histórias reais”, pontua o profissional, foi professor do curso técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos ofertado pelo Unibave.

Ele ainda informa que o consumo de drogas lícitas é muito maior que das ilícitas. “Fazendo uma comparação, entre 10 e 12 % da população é dependente de álcool, já de crack o percentual é 0,6%”, exemplifica. As drogas, em longo prazo, causa habituação do organismo. O corpo vai precisando de doses maiores para alcançar as sensações satisfatórias. E a porta de entrada pode ser justamente as lícitas. “Você não vai pedir uma pedra de crack já no início. No começo você não toma uma garrafa de cachaça, apenas uma dose. O uso de drogas no Brasil é uma consequência: álcool, cigarros, maconha, cocaína e crack”, opina o psicólogo.

E o consumo de substâncias psicoativas traz consequências coletivas, como o próprio Robson já passou. “Tive uma irmã que morreu em um acidente de carro quando tinha apenas 20 anos. O motorista estava alcoolizado”, recorda. Entre as tantas histórias que já acompanhou, ele narra, de forma resumida, uma que o marcou. “Jovens estavam usando drogas lícitas e ilícitas em um sítio da região quando um deles acaba tendo uma overdose. Os demais o levam, desmaiado, até o hospital. Chegando à unidade avistam o carro da polícia e, com medo, o deixam desacordado na calçada. O fim dessa história foi um jovem morto por overdose”.

Nem todas as histórias têm final trágico, mas essas são minoria. “Algumas pessoas têm o poder controlar a frequência e quantidade do consumo ao longo da vida. Mas, a maioria não consegue. A maioria dança…”, expõe. E, infelizmente, ele não faz referência à arte cênica na última frase. “Você é livre para usar drogas, mas também é livre para não usar. É uma escolha pessoal, mas de consequências coletivas. É essa reflexão que precisa ser feita”, finaliza Robson, que além de psicólogo e especialista em Dependência Química, é pós-graduado em Gestalt terapia e membro da Academia Braçonortense de Letras, lançando seu segundo livro no próximo semestre.

A auxiliar pedagógico e coordenadora do técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos, Deise Viviane Coan, pontua a importância da campanha “Curtir sem vacilo” realizada pelo Unibave. “O dependente químico, muitas vezes, não quer mais estar na situação de dependência, e o acolhimento deve ser livre de preconceitos. Os olhares atravessados e os julgamentos colaboram para a piora da situação. Por isso, precisamos trazer informações, dados e debates sobre o assunto”, observa Deise.

Foto: Freepik