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Cofundadora do Instituto Maria da Penha palestra no Unibave

24 de maio de 2025 -
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Com o Centro de Vivências lotado por acadêmicos e membros da comunidade, o Centro Universitário Barriga Verde (Unibave) recebeu, na quinta-feira, dia 22, a cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha, Regina Célia Almeida Silva Barbosa. A professora conduziu uma palestra com o tema “Direito, Justiça e Cidadania para as Mulheres: barreiras e acesso”, abordando questões de educação e empoderamento feminino.

Logo nas primeiras palavras, Regina pediu que uma luz fosse direcionada ao centro do palco, com o restante do ambiente às escuras, e leu a descrição de Maria da Penha no momento em que sofreu o atentado do então companheiro. Em seguida, iniciou sua fala apresentando a mulher que dá nome à Lei, que neste ano completa 19 anos. A professora destacou as barreiras enfrentadas pelas mulheres no acesso à justiça e à cidadania, e ressaltou o papel das universidades como espaços fundamentais de conexão, informação, conhecimento e engajamento social.

Lei Maria da Penha

A ativista veio à cidade a convite da Igreja Batista de Orleans e destacou o papel das comunidades de fé no enfrentamento à violência doméstica. “Temos mais de 500 anos de uma cultura marcada pela violência. A Lei Maria da Penha é inovadora, mas é preciso investir em práticas, metodologias e educação, ressignificando muitos espaços”, comentou.

Regina observou que, por muito tempo, empresas e veículos de comunicação não abordavam o tema da violência de gênero, tampouco tratavam da diversidade de forma responsável. “Hoje há espaço dentro das empresas para falar sobre isso”, afirmou.

Ela também destacou a importância da correta aplicação da Lei Maria da Penha. “Quando a Lei falha em sua aplicabilidade, significa que o agente responsável por aplicá-la precisa de formação continuada. E esse agente somos todos nós — a sociedade. São também os agentes de segurança pública, os profissionais da saúde, os professores. Precisamos estar continuamente calibrados para aplicar bem a Lei e mudar a rota. É necessário romper com a geracionalidade da violência e implantar uma geracionalidade da cultura, do respeito e da diversidade humana”, refletiu.

O papel da Igreja e da sociedade

Para a coordenadora do curso de Psicologia do Unibave, professora Vandreça Vigarani Durigon, a palestra representou um marco histórico para a região. “Mais do que um encontro acadêmico, esta iniciativa abriu caminhos para um diálogo necessário e urgente entre diferentes esferas da sociedade civil, do poder público e, de maneira particularmente significativa, da instituição Igreja”, avaliou.

Ela também considera positivo o envolvimento da Igreja na disposição de refletir criticamente sobre seu papel no enfrentamento à violência contra as mulheres. “Rompe-se com silêncios históricos e inaugura-se um novo momento de responsabilidade compartilhada, sensível às demandas sociais e às realidades vividas por tantas mulheres”, afirmou.

Violência de gênero é um tema coletivo

Segundo a coordenadora, a violência de gênero não pode ser tratada como um problema restrito a determinados setores. “Ela compete a todas as instâncias: jurídicas, educacionais, religiosas, culturais e comunitárias. Ao reunir representantes de diferentes áreas, o evento contribuiu para uma compreensão mais ampla dos obstáculos enfrentados pelas mulheres no acesso à justiça e aos seus direitos, promovendo o engajamento de diversos atores na busca por soluções efetivas e humanizadas”, ressaltou.

Vandreça também destacou que o evento gerou um sentimento de transformação e reforçou o compromisso de manter o diálogo e a ação constantes em prol da justiça e da cidadania plena para todas as mulheres.

Atividade cultural

Antes do início da palestra, a acadêmica da quinta fase do curso de Psicologia, Jéssica Moraes da Luz, declamou o poema “Em outras palavras, sou muito romântico”, vencedor da 8ª edição do Show de Talentos do Unibave. Segundo a autora, a poesia faz uma reflexão sobre relacionamentos abusivos.